• LocationSalvador - State of Bahia, Brazil

Circuito Rolezinho

Novas formas de se pensar humanidades por meio das revoluções culturais, ocupando espaços e construindo novas narrativas

O problema que pretendemos resolver:

A falta diálogos com as narrativas de futuros possíveis, ancestralidade, encontro de diáspora negra. Além de dados e conteúdos disponibilizados no ciberespaços "desmarginalizando" a visão negra, e a falta de acessos na cidade de Salvador – BA.

A solução que o nosso projeto oferece:

Propõe novas ocupações de espaços, novas narrativas nas estatísticas de busca do que se encontra sobre rolezinho. Diálogos, protagonismos, conteúdos de audiovisual nos ciberespaços que incentivem efeitos na representatividade e outras possibilidades de se pensar sobre as identidades negras do Brasil

O impacto que nosso projeto teve até hoje:

Novas narrativas e estatísticas do que se entende sobre rolezinho, 2 eventos com 1600 pessoas e 58 projetos envolvidos.

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Sobre o projeto

Para descrever o Circuito Rolezinho, primeiro precisamos explicar o significado da palavra “Rolezinho” e como a sua conotação se tornou pejorativa no Brasil após ser associada à população jovem, negra e periférica do país.

Inicialmente, a expressão “rolê”, era utilizada para designar o simples ato de “passear” e “circular por outros espaços”. Com o passar dos anos, especificamente na primeira década dos anos 2000, a juventude negra das grandes capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, passou a utilizar a expressão - no diminutivo - em referência e para designar as ocupações culturais e políticas em shoppings centers, no intuito de realizar protestos. O primeiro ocorreu no final do ano de 2013, quando foi aprovado um projeto de lei na capital paulista (SP) que proibia a realização de bailes funks nas ruas. Através de mídias sociais de internet, como o Facebook, os cantores do estilo musical popular convocaram jovens negros a se organizarem e marcarem grandes encontros dentro de shoppings centers de São Paulo para cantar e dançar funk.

A atitude gerou repressão por parte dos empresários dos centros comerciais que, por meio de seus seguranças e vigilantes, e o próprio Estado, por meio da polícia militar, passaram a reprimir a presença dos garotos e garotas que só queriam se expressar artisticamente contra o projeto de lei que, depois, foi cancelado pelo prefeito da cidade, na época Fernando Haddad, que, por sua vez, passou a apoiar a causa dos protestantes e pediu maior atenção por parte das Secretarias municipais de Cultura e Igualdade Racial para garantir espaços públicos para o público jovem de comunidades menos favorecidas.

82% da população da cidade de Salvador é negra!!

Considerando que no Brasil, cerca de 54% da população é negra, e que destes, uma porcentagem de jovens negros e negras, residente de espaços com poucas opções de lazer, muitas vezes distantes de espaços e centros culturais

O Circuito Rolezinho se apresenta como resposta a essas desigualdades territoriais, sociais e econômicas , que afetam diretamente o acesso a bens culturais e desenvolvimento artístico por parte da juventude negra.

Compreendendo ainda que o projeto surgiu na cidade de Salvador, Bahia-Brasil, uma das cidades mais negras no mundo fora do continente africano, o intuito de ressignificar o conceito de “Rolezinho” e ocupações negras retratadas na mídia de forma equivocada e discriminatória, o conceito da ação surge como estratégia de empoderamento geracional, racial, de gênero, territorial e econômico. E, sobretudo, ressignifica o lugar de jovens negros e negras, uma das maiores vítimas das desigualdades, como o racismo, no Brasil.

Idealizado pelas baianas Luma Nascimento, pesquisadora, pedagoga e digital influencer e Yasmin Reis, musicista e videomaker, a proposta tem como objetivo principal a produção cultural para a ocupação de espaços e construção de novas narrativas, através de diferentes linguagens: música, cinema e moda. O intuito do projeto é fazer circular as produções feitas pela e para a juventude negra, numa perspectiva de desenvolvimento sociocultural e econômico para a população afrodescendente.

Com a proposta de novas ocupações, diálogos, protagonismos e principalmente, ressignificar o conceito da palavra ROLEZINHO, que mesmo sendo referente à ocupação de espaços públicos e privados em busca de lazer, foi exposto de forma pejorativa pelos veículos de comunicação. Atualmente, após apenas duas edições, o Circuito Rolezinho já consegue trazer outras abordagens para o conceito e problematizar numa perspectiva positiva. Ao inserir na busca do Google, a palavra “rolezinho”, os destaques eram estritamente para notícias sobre “jovens negros causando confusão em shoppings”. Agora, também estamos nessa lista, apresentando o Lado B desse “significado,” com novas formas de diálogos.

Atividades do projeto

Circuito Rolezinho projeto criado
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