Raízs

Estamos cada vez mais preocupados em saber de onde vêm os alimentos que comemos. Mesmo com a praticidade dos alimentos industrializados, mais e mais pessoas estão optando pela saúde e sustentabilidade dos orgânicos e produzidos localmente. A tendência é pensar tanto na própria saúde quanto nas questões sociais e econômicas envolvidas na produção e transporte dos alimentos. Pensando numa forma de impactar positivamente tanto o produtor quanto o consumidor, Tomás Abrahão criou o projeto ‘Raízs’. Segundo ele, “a Raízs é um projeto que nasceu com um duplo propósito de incentivar a agricultura familiar ( democratização do espaço rural) e contribuir para a saúde alimentar das pessoas que vivem na cidade, através do consumo de alimentos orgânicos.”

Segundo dados do IBGE, a agricultura familiar representa mais de 80% dos estabelecimentos rurais no Brasil, mas apenas 24% da área ocupada pela produção rural. Ou seja, a concentração de terras e a desigualdade são grandes e quem mais sofre é o ponto mais fraco da cadeia, o pequeno agricultor, que acaba tendo que vender seus produtos a preços baixos de acordo com as exigências das grandes empresas. Através da Raízs, consumidores da cidade têm acesso direto a produtos provenientes de agricultura familiar e o esquema logístico do projeto garante que os produtos cheguem extremamente frescos na casa dos compradores. “As coisas que chegam parecem vivas!”, diz Sandra, consumidora.

“Os produtos da horta ainda não foram colhidos até o momento da compra. A jornada do produto nunca dura mais de 24 horas da terra à mesa do consumidor”

Tomás Abrahão

A aproximação com o pequeno agricultor também acontece no campo afetivo. A maioria dos legumes e verduras da Raízs são identificados com uma foto da família que o produziu; é possível ter mais informações no site e no futuro também será possível visitar as hortas. “Através da rastreabilidade do produto, você sabe qual família está produzindo seu alimento e o quanto está impactando e retornando financeiramente para ela.”, explica Tomás. Dessa forma, diz ele, “os consumidores começam a criar um vínculo com as famílias produtoras, vendo o que veio cada semana de diferente família e conhecendo um pouco mais sobre o pequeno produtor através do site.”

Os produtos de agricultura familiar identificam as famílias produtoras.

A conexão entre as famílias dos consumidores e a dos produtores é fundamental para Tomás, que faz questão de mostrar o valor dos trabalhadores rurais. Ele conheceu a realidade dos produtores rurais em seus 7 anos como professor voluntário de História, tendo experiências em Cuba e Bangladesh. “Quando eles veem sua foto no produto, se sentem valorizados por seu trabalho que é duro, cotidiano e não bem recompensado”, diz Tomás, que também destina em média 2/3 do preço de venda para o desenvolvimento rural (Produtores, Planejamento de Produção e Logística Integrada no Campo).

O objetivo é aumentar gerar uma conexão entre as famílias produtoras e consumidoras.

“Descobri que minha paixão é gerar uma mudança nas pessoas, o que me gera um retorno muito maior que qualquer recompensa material ou financeira”

Tomás Abrahão
O projeto valoriza o trabalho e as histórias de famílias como a da Neide.

O projeto tem “objetivos concretos e pretensões grandes” de melhorar a qualidade de vida e as oportunidades no espaço rural. A ideia é ajudar no desenvolvimento e capacitação dos produtores, aumentar a valorização do seu trabalho e aumentar a conscientização alimentar dos consumidores urbanos. Com metas ambiciosas, o caminho não costuma ser fácil, mas Tomás compartilha suas fontes de inspiração e dá o exemplo pra outros inovadores sociais. “Em um certo momento difícil da vida perguntei ao meu pai ‘mas como levantar para seguir em frente?’ ele me respondeu que o segredo é ‘seguir em frente para levantar’, e assim continuo seguindo e caminhando para um horizonte.”

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We recognize the value of small & independent farmers by connecting them to urban consumers

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