Saladorama

Manter uma alimentação saudável não é fácil. E nem barato. O acesso a uma dieta balanceada e de qualidade se tornou um privilégio e, infelizmente, as consequências desse cenário podem ser vistas em toda a sociedade. Um número cada vez maior de pessoas sofre com doenças causadas pela má alimentação, como a obesidade, hipertensão e diabetes. Em comunidades de baixa renda, a situação é ainda mais complicada, pois o acesso a alimentos nutritivos é escasso. “Hoje você chega às comunidades e encontra cachorro-quente, hambúrguer, tudo menos uma alimentação saudável”, diz Hamilton Henrique, um dos fundadores do Saladorama, o projeto que está ajudando a mudar essa realidade.

“Minha inspiração foi perceber que o básico foi tão elitizado, que agride diretamente a saúde e a expectativa de vida das pessoas de baixa renda.”

Hamilton Henrique

O Saladorama tem como missão democratizar o acesso à alimentação saudável e de qualidade. Com cozinhas instaladas dentro das comunidades, o projeto vende saladas a preços acessíveis e educa seus moradores, mostrando que “salada não é só alface e tomate”, como diz Hamilton. São mais de 45 itens divididos em 8 tipos de saladas diferentes, que levam nomes como “Força”, “Equilíbrio” e “Sangue Bom”. A qualidade das refeições é garantida por Mariana Fernandes, nutricionista e uma das fundadoras do projeto.

A salada "Atlética" é uma das opções do cardápio do Saladorama.

Além de contribuir para a melhoria dos hábitos alimentares, o Saladorama também beneficia as comunidades através da geração de empregos e capacitação profissional de seus moradores. Como forma de ganhar escala, o projeto investe em treinamentos para que os membros de sua equipe sejam capazes de se tornarem empreendedores no futuro. “Selecionamos meninas na comunidade através da indicação de um facilitador, oferecemos a elas um curso e depois a oportunidade de tocar uma unidade do Saladorama em sua comunidade”, diz Hamilton.

A equipe é treinada tanto para trabalhar no projeto quanto para se tornarem empreendedoras.

“Se aquele alimento era tão bom para meu organismo por que ele era tão difícil de ser encontrado? E por que era tão caro, tendo em vista que quem mais precisa dele não o pode comprar?"

Hamilton Henrique

O crescimento do projeto mostra a aceitação de sua proposta. Iniciado em São Gonçalo, hoje o Saladorama já possui outras duas unidades no Rio de Janeiro e uma em Recife. Além disso, histórias individuais mostram que a mudança de hábitos, aos poucos, ganha espaço entre os moradores das comunidades. “Tem a história de um menino do Santa Marta que era acostumado a comer só feijoada e comidas bem carregadas. Um dia oferecemos a ele uma salada e lhe dissemos: ‘Não precisa virar vegano, é só pra equilibrar’, ele riu e não aceitou de primeira. Depois de um tempo ele mudou de ideia, pediu a salada e hoje é um dos nossos melhores clientes”, conta Hamilton.

O objetivo é poder contar mais e mais histórias como essa. Até o final de 2015, o Saladorama quer ter impactado 50 mil pessoas. Para 2018, a meta é chegar a um milhão, com uma base em cada um dos estados brasileiros. Com o potencial multiplicador que a estrutura do projeto possui e o apoio de uma série de pessoas acreditando na ideia, Hamilton é confiante. “O mundo só será mudado se for trabalhado no coletivo; esse foi o maior aprendizado que vou levar por toda vida.”

Projeto relacionado
SALADORAMA
SALADORAMA

Democratização da alimentação saudável e empoderamento / Democratization of healthy eating and empowerment

Log in to follow